José Carlos Grando (enófilo)
No vinho está a verdade Uma questão bastante levantada diz respeito aos fatores que determinam o preço de um vinho. Aqueles que normalmente respondem que é a “qualidade” estão equivocados. É claro que não se consegue produzir vinhos de grande qualidade e vendê-los a preços mais acessíveis. Pois, ter vinhedos bem cuidados e com baixa produção por hectare, barricas de carvalho francês ou americano, equipamentos de alta tecnologia na vinificação, rolhas de qualidade, enólogos destacados e tempo de desenvolvimento dos vinhos, custa dinheiro. Mas nada disso explica, por si só, os preços elevados de muitos vinhos de destaque. Na verdade o custo de todos estes insumos citados, que resultam num vinho de qualidade, somando ainda valores imensuráveis, como a região produtora, a raridade deste vinho, o prestígio ganho durante muitos anos de história e tradição, entre outros fatores considerados. Diria que são estes últimos fatores que pesam mais na balança e no bolso. Aqueles enófilos que tiveram a oportunidade de participar de degustações às cegas com alguma freqüência já devem ter passado por experiências surpreendentes, nas quais vinhos de boa qualidade, mas de pouco destaque e de preços moderados, deixaram os vinhos consagrados de “calça curta ou saia justa”. Isso não é a regra, mas é um fato freqüente que pode acontecer. Que fique claro aqui, que não se trata de colocar um vinho medíocre ao lado de um Romanée-Conti ou de um Château Petrus. Estamos falando de vinhos de boa qualidade, procedentes muitas vezes de países do “Novo Mundo” como, por exemplo, o Chile, Nova Zelândia, Austrália entre outros, e que apresentam uma grande qualidade com preços mais acessíveis ao bolso do consumidor. E para mostrar que não estou falando inverdades, cito o que ocorreu recentemente numa degustação que participei, onde degustamos dois grandes nomes do vinho francês ao lado de outros vinhos de qualidade, mas com preços bem mais em conta. Os resultados foram surpreendentes entre os participantes. Por essa razão tenho defendido e orientado a quem me questiona sobre a qualidade embutida nos vinhos. É preciso procurar degustar diferentes castas, de diversas procedências e preços, para poder fazer uma análise mais apurada. Porém é lógico que a verdade está no vinho e não no preço.

criado por jc.grando
16:37:33A hora de beber os rosados
Por José Carlos Grando
O brasileiro sempre teve uma certa restrição em beber vinhos no verão. Até porque moramos num país tropical e com a chegada da estação preferimos beber a famosa “cervejinha”. E ainda temos a informação de que os vinhos só devem ser bebidos no inverno. Engano nosso. No verão também podemos beber vinhos, mas com algumas ressalvas no que diz respeito à temperatura e ao tipo a ser bebido. Os vinhos brancos, os espumantes e os rosados, por exemplo, são adequados para acompanhar as massas, verduras, aperitivos e frutos do mar que estarão na mesa neste verão.
Existe também a cultura de que o vinho deve ser bebido a temperatura ambiente, o que é um mito, porque isso vai depender da temperatura do ambiente. Os rosados podem ser uma boa pedida para este verão. Até porque esses vinhos são mais leves do que os tintos e estão cada vez mais presentes na mesa do consumidor brasileiro que está aprendendo a degustar bons vinhos durante o ano todo.
O rosado que é bebido, principalmente, na Espanha e na vizinha Argentina, entre outros países. São vinhos elaborados a partir de uvas tintas e não pela mistura de vinho branco com vinho tinto. Na sua vinificação “em rosé” a maceração é curta, em torno de 24 horas, e as temperaturas que o vinho fermenta são baixas, entre 15 a 20º C. A remoção precoce das cascas tintas vai dar o aspecto rosado e vai modificar a estrutura em relação aos vinhos tintos. Os resultados obtidos desse processo são vinhos rosados e delicados como os brancos, porém com mais estrutura gustativa.
A produção do tradicional rosé que conhecemos no Brasil durante muito tempo, pode acontecer de duas formas. A primeira, com a mistura de uvas tintas e brancas, porém, pouco utilizada, devido ao baixo controle dos resultados. Este método consiste em misturar uvas brancas com pequenas quantidades de uvas tintas, as quais são fermentadas juntas. E a outra forma, são os cortes entre vinhos tintos e brancos. Este processo permite ao enólogo, pleno controle do resultado final pela mistura de tintos e brancos, após os mesmos terem sido elaborados em separado. Os famosos Champagnes rosés muito apreciados na Europa são produzidos desta forma.
Para terminar, é preciso deixar claro que agora é hora de beber vinho sim... e descobrir os novos aromas e paladares que só um rosado de boa procedência pode trazer.
E, para aqueles que já estão descansando ou vão passar as férias de verão na praia, não esqueçam de incluir o vinho rosado em sua mesa para aumentar mais ainda o astral desta temporada. Pois, já dizia o saudoso poeta, Fernando Pessoa, “boa é a vida, mas melhor é o vinho”.

criado por jc.grando
14:35:29